O muro da Depressão.

Não há dúvidas sobre a importância e influência dos pais na primeira infância de um indivíduo.

Mergulhando no inconsciente.

Muitas pessoas têm receio de fazer psicoterapia.

Um olhar para a depressão

A depressão é diferente do estado deprimido, o qual pode ser resultado de fatos corriqueiros

Tirando a poeira debaixo do tapete

Você sabe que algo não vai bem, mas não sabe como criar espaço para dizê-lo

As relações não curam todas as carências

“Nós escrevemos scripts para outras pessoas encenarem, mas esquecemos de lhes comunicar isso”.

Transtorno do Pânico

A síndrome do pânico enquadra-se no conjunto de transtornos de ansiedade

15 de jul. de 2013

Uma reflexão para o dia do HOMEM

Dia do HOMEM?

Eu acho interessante... 
homens que têm uma estranha mania de acreditar que não são percebidos em suas fragilidades, seus medos e suas malandragens.
São divertidos quanto às suas estratégias sedutoras, à ingenuidade ao subestimar a inteligência feminina e a capacidade de identificar quando articulam jogos emocionais, tentando desestabilizar a mulher com sumiços provocadores de ansiedade. 
Isso é engraçado e pode ser um "tiro no pé"! A mulher pode vir a se sentir bem maior quando agem assim.
É hilário quando se tornam incoerentes, ora se mostrando de um jeito, ora de outro, quando se "embananam" porque na verdade não sabem como agir diante do mistério feminino ou da retidão e da fidelidade que a mulher conseguiu desenvolver com os próprios princípios.
É curioso vislumbrar como parte deles não consegue reconhecer que as mulheres são diferentes no que concerne às necessidades afetivas e às motivações para mantê-los por perto.

Eu aprecio...
Homens inteligentes, que escrevem bem, articulam bem as palavras ao conversar, olham nos olhos e sorriem facilmente. Que reconhecem um lapso e pedem desculpas. Homens sensíveis, elegantes e íntegros.

Eu admiro...
o que acorda cedo para cuidar da saúde, levanta a tampa do vaso sanitário, lava as cuecas no chuveiro e não deixa rastros de bagunça pela casa para que a mulher vá arrumar. 

Eu amo...
aquele que brinca com os filhos, dá banho, coloca para dormir, sabe educar e quando rola no chão com os pequenos faz com que fique difícil identificar quem é o adulto, quem é a criança.

Dia do HOMEM? Então tá...

Um feliz dia para aqueles que, apesar dos inúmeros defeitos que possuem (e quem não os têm?), valorizam e respeitam as mulheres de suas vidas (mães, filhas, irmãs, esposas e amigas). 

Àqueles que se esforçam em decifrar as próprias limitações e seguir eticamente em busca da paz e não da saciação imediata do que pulsa em sua genitália.

O esforço em transmutar as próprias limitações não é tarefa fácil e é perfeitamente aplicável aos universos masculino e feminino. Feliz da MULHER que tem ao seu lado um HOMEM que já despertou, que se esforça em abrir mão do machismo dominador e a enxerga como alguém possível de acender nele o encontro consigo mesmo, de forma a integrar 'animus' e 'anima' em sua essência. 

Feliz da MULHER que já percebeu que, enquanto mãe de HOMEM, precisa transformar o machismo que JAZ dentro de si.

Ana Virgínia Almeida Queiroz
Psicóloga Clínica
CRP: 01-7250

10 de jun. de 2013

Ansiedade a serviço da vida


O Viver é também composto por momentos desgastantes... aqueles em que a cabeça dá mil voltas, o estômago revira e a ansiedade nos cobra uma atitude. Mas não dá para "atirar no escuro"! A ansiedade é força motriz, mas a sabedoria tem que estar em comunhão com ela. A primeira te impulsiona, a segunda auxilia na estruturação para resolução dos desafios de forma a proporcionar crescimento, seja pelo sucesso ou pela fracasso. Se a vitória apresenta-se como resultado, maravilha! Se é a frustração, maravilha também. Nunca vi ninguém crescer do ponto de vista psíquico e emocional sem ter vivido o desalinho entre o desejo e a não satisfação em um momento ou outro na vida. Mas algo é certo. Quanto mais sábios nos tornamos, mais positiva a força motriz, mais resultados geradores de satisfação, menos tirania da angústia e menos reféns nos tornamos dos desafios. 

A propósito, quantos papéis podemos desempenhar na vida além dos de vítima e algoz? Deixe-me ver...


Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250

15 de abr. de 2013

Desapego

... tornei-me incapaz quanto à crença sobre a existência de experiências finitas ou engessadas, pois mesmo as passadas voltam, levando-me a pensar que não as quitei em tempo oportuno. O mundo é um círculo, a vida ciclos. Desenvolver o desapego é uma das únicas possibilidades de renovar vivências, amores e desvendar cantos não explorados no meu SER mais inconsciente. Não quero reter pessoas, ideias ou feitos. Finalmente percebo que tudo o que não representa meu EU, corresponde a uma parcela do que de mais importante me conduz a mim mesma e age conforme a minha necessidade e ao meu amadurecimento naquele momento. Pessoas chegam e vão, deixando marcas tão profundas, mas não suficientes para considerá-las responsáveis pelo meu sucesso ou derrota, onde, nada mais sobrará para continuar a caminhada. Quero o fracasso, quero as vitórias e ainda assim, serei capaz de reconhecer a função de cada um que cruzar minha estrada. Muitos têm ficado, outros cumprem com suas missões junto a mim e partem. Gratidão é uma constante em minha existência, e o amor... ahhhhhhhh o amor! Esse é para os que efetivamente constroem templos dentro de mim...

 
Ana Virgínia Almeida Queiroz
Psicóloga Clínica
CRP: 01-750

 

13 de mar. de 2013

Convivendo com um perverso



Nem era tão bonita assim. Sua educação, delicadeza e inteligência eram seu passaporte para conquistas que alimentavam a certeza quanto a sua infalibilidade. Com frequência sentia-se ameaçada por pessoas que desfrutavam de sua convivência há algum tempo e atribuía tal sensação à inveja que delas emanava. Nesses momentos, tornava-se agressiva e irônica, destilando em palavras e gestos sutis e velados toda sua ira, de forma a gerar no outro sentimentos de medo, a inibir a possibilidade de um entendimento.

Sua incapacidade de perceber-se suscetível aos erros fazia com que sempre, em situações como esta, projetasse toda a culpa na outra pessoa, eximindo-se de qualquer responsabilidade e deixando como alternativa de reparação, aceitar seus argumentos e submeter-se a eles. Com o tempo, a repetição dessa dinâmica neutralizava as forças e percepções do outro, destruindo gradativamente a auto estima daqueles que junto a ela permaneciam, apesar de toda a sua insensibilidade...


A perversidade reside em cada um de nós e se manifesta por diversos motivos. É ela que, por exemplo, em alguns momentos aciona mecanismos de defesa em situações nas quais sentimos nossa integridade ameaçada. A raiva por nos percebermos abusados e o desejo de vingança são alguns dos ingredientes que podem nos impulsionar à expressão da maldade que trazemos internamente, revelando, em seguida, sintomas de culpa em decorrência de ações por ela mobilizadas. E por reconhecermos essa faculdade inerente à natureza humana, que surge eventualmente, nos assombramos quando tomamos conhecimento de pessoas que fazem dessa dinâmica perversa sua forma de ser em tempo integral.

Boa parte das pessoas, senão todas, já conviveu ou convive com um perverso. Eles estão em toda parte, nas famílias (relações conjugais e parentais), nas escolas (entre amigos), nas empresas (colegas de trabalho e chefias) e no âmbito social. Extremamente sedutores, utilizam da inteligência e da perspicácia no que concerne às limitações do outro para iniciarem um processo definido como enredamento, por intermédio do qual sondam as fragilidades da vítima, iniciam um trabalho que favorece uma cegueira no outro quanto aos riscos que estão por vir na relação em desenvolvimento.

Os perversos narcísicos, assim definidos pelo DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais IV), não enxergam o outro como pessoa, mas como objeto que existe para satisfazê-los, projetando nele conflitos íntimos que não podem assumir pela sua incapacidade de se perceberem falíveis. Megalomaníacos, possuem um senso grandioso sobre a própria importância e acreditam ser especiais, o que reforça a necessidade de serem constantemente admirados, a manifestação de comportamentos arrogantes e a inexistência de empatia.

Conviver com um perverso gera sentimentos infindáveis de culpa, inadequação, impotência e abandono, além de quadros severos de ansiedade e de depressão. É às custas de uma grande tensão interior que a vítima consegue acalmar seu algoz nas ocasiões em que se apresenta nervoso, que mascara o descontentamento com a relação e que se esforça para não reagir. O organismo vive em constante estado de alerta, liberando hormônios que depreciam o sistema imunológico e modificam os neurotransmissores cerebrais.

A longo prazo, a persistência de taxas hormonais elevadas gera distúrbios que se instalam cronicamente como: palpitações, sensações de opressão, falta de ar, fadiga, perturbações do sono e digestivas, nervosismo, irritabilidade, dores de cabeça e abdominais, úlceras de estômago, doenças cardiovasculares e de pele, perda ou ganho de peso e, ainda, enfraquecimento.

As estratégias básicas que norteiam um comportamento perverso, passada a fase do enredamento, são padrões agressivos nos quais pode-se notar o uso dos recursos da mentira, da linguagem paradoxal, da desqualificação, da recusa ao diálogo, todas elas como forma de confundir a vítima sobre a mensagem dada pelo agressor e a recebida por aquela, o que favorece a manutenção da manipulação e do controle na relação.

Como irritar um perverso? Mostre que percebe seu jogo. É tentador imaginar-se virando o tabuleiro, deixando fluir a própria natureza perversa, mas é importante saber que normalmente o perverso não perde uma guerra. Travar uma batalha psíquica com alguém com essa natureza promove um desgaste físico e emocional tão intenso quanto manter-se inerte. O recomendável é evitar a sedução do jogo e proteger-se, buscando ajuda psicológica para que seja possível descobrir sentimentos e necessidades que promovem a vinculação a ele e o fortalecimento para libertar-se da relação ou o aprendizado necessário para lidar com ela. E neste campo, não há espaço para ilusões! Um perverso dificilmente muda seu padrão comportamental!

Marie-France elucida que, diferentemente de um masoquista, a vítima de um perverso não aprecia o sofrimento, mas simplesmente não consegue se libertar sozinha. Ela faz menção aos esclarecimentos de Alice Miller sobre os danos de uma educação repressora, como forma de retirar da criança defesas naturais vinculadas à expressão de desagrado ou de indignação por atitudes dos adultos. A autora ainda revela que a longo prazo,  essa conduta dos pais mina a autenticidade e atrofia a auto estima, criando futuros adultos incapazes de dizer não e, portanto, mais vulneráveis às ações perversas. 

Quando o insucesso de uma relação entre um perverso e uma vítima começa a ficar explícito, a sociedade e a família, de um modo geral, creditam à vítima a incapacidade de cessar o tormento – “Ela não sai desse casamento porque gosta de sofrer!”. Esse julgamento baseado em percepções superficiais também se dá em função da violência infligida ser de natureza “limpa”, não deixando vestígios. Nesse momento, o perverso se utiliza de outra arma, a vitimização. E não poupará esforços e inteligência para reverter o quadro, fazendo com que a vítima, próxima de seu limite, torne-se agressiva, pareça ingrata e até mesmo enlouqueça. Para aqueles que desconhecem a verdade entre quatro paredes, a versão explícita é a verdadeira.

Não raro, chegam aos consultórios de Psicologia, mulheres casadas e profissionais que sofrem ou sofreram a perseguição de um perverso. Quando buscam o tratamento psicológico e/ou psiquiátrico encontram-se em estados depressivos severos com quadros de esgotamento intenso ligado a um excesso de estresse. Sentem-se exauridos, sem energia e apresentam dificuldade para pensar ou se concentrar, mesmo em atividades corriqueiras. Alguns apresentam ideias suicidas e outros tentam efetivamente o ato extremo, o que para o perverso reforça a imagem de impotência e incompetência da vítima, facilitando com que comprove o estado perturbado e louco do outro e se fortaleça como algoz, todo-poderoso, com rigor moral e sabedoria.

Ana Virgínia Almeida Queiroz
Psicóloga Clínica
CRP: 01-7250

Suporte Bibliográfico:
 - Livre de ansiedade – Robert L. Leahy / 2011;
- A parte obscura de nós mesmos - Elisabeth Roudinesco / 2007
- Perversão - As engrenagens da violência sexual infantojuvenil - Cassandra Pereira França (org.) / 2010
- Mentes perigosas - O psicopata mora ao lado - Ana Beatriz Barbosa Silva / 2008
- Assédio Moral - A violência perversa no cotidiano - Marie-France Hirigoyen / 2011
- O drama da criança bem dotada - Alice Miller / 1997


8 de fev. de 2013

Não se case ao acaso

E eu já desapaixonei e reapaixonei milhares de vezes pelo mesmo homem. Casamento é menos difícil quando encaramos suas oscilações como algo natural e de peito aberto. Se estamos em constante processo de transformação enquanto pessoas, pretender que o sentimento inicial de uma relação permaneça o mesmo é ilusão que certamente provocará dor.

E não obstante as irritações, as competições, as farpas sutis, sempre há espaço para o olhar terno, o silêncio no momento exato e a palavra acolhedora.

Casamento é construído sobre papéis. Sim, mas não apenas naqueles que assinamos no ato da cerimônia civil ou religiosa. Falo dos de amantes, de amigos, de irmãos, de pais (quando existem filhos), mas principalmente de seres humanos.

Casamento é legal! Eu acho! Dá trabalho. Muito trabalho! Quando o resultado disso gera mais sucesso do que frustração é sinal de que as coisas estão andando de forma alinhada, em comunhão.

"Eu amo meu marido!". Romântica? Muito além disso! Amo porque ele atura meus devaneios, minhas ausências, minhas rebeldias, minhas teimosias. Amo pelo ser humano que é. Íntegro, consciente, lúcido, mau humorado (às vezes) e disposto a melhorar sempre, fazendo valer à pena investir meu tempo e meu afeto.

Amo porque me ensinou e também aprendeu que apesar de casados somos livres. Que estar junto toda hora, fazendo tudo junto, atualizando sobre qualquer coisa que aconteça, não é exatamente sintoma de afeto, pode ser controle. Deixar o outro livre para falar ou calar é um ingrediente gostoso de sentir ao degustar o prato principal.

Talvez exatamente por isso ainda estejamos juntos. Nos aceitamos e nos esforçamos para não tomar caminhos tão divergentes, pois embora sejamos duas individualidades, há uma espinha dorsal na relação que não pode ser rompida. O maior desafio não é manter a mesma paixão. É flexibilizar a coluna vertebral do casamento, como em uma dança por vezes sensual, por vezes agressiva, mas preparada para a mudança de vibrações.

E ao descobrir novas nuances no cônjuge, oriundas das experiências ao longo dos anos, se surpreender com o SER que vai surgindo, permitindo que ele conquiste novamente e sempre, abrindo novos ciclos sem previsão para o fim.

Eu casaria novamente com o mesmo homem, digo, com o mesmo-diferente, mutante a cada reviravolta da vida. Maduro... ahhhhhh... Agora que eu casava mesmo!
 
 
Ana Virgínia Almeida Queiroz - CRP: 01-7250

 

MAPAternagem em Drágeas

"MAPAternagem em Drágeas" tem como objetivo favorecer reflexões sobre condutas favoráveis à formação psicoafetiva dos nossos filhos, bem como avaliar sobre os efeitos da educação que recebemos quando crianças e em como isso se reflete em nossa vida atualmente.  
1. Aceitar os filhos como são, evitando rótulos, favorece que a autenticidade os oriente nas relações com outras pessoas e consigo mesmos.
2. Estar atento (a) para a possibilidade de projetar  em teus filhos os anseios e frustrações que te pertencem, evita que designe a responsabilidade de te fazerem plenamente feliz com as opções que apresenta a eles. Busca, por si só a autorrealização, libertando-os para serem eles mesmos.
3. Viver tua vida, tornando-se inteiro (a), auxilia a construção da integralidade nas crianças, nos momentos definidores do desenvolvimento psicoafetivo.
4. Preza pela união dos filhos e os oriente em momentos de conflito, evitando suprir tuas necessidades de importância e reconhecimento tirando proveito da competição entre eles.
5. Exercite a flexibilidade e trabalhe o medo de perder o controle sobre os filhos, pois este de nada vale nas relações afetivas, sufocando o amor que é o verdadeiro agente transformador.
6. Deixe teus filhos livres para fazerem as escolhas possíveis, observando as etapas de desenvolvimento e orientando sobre as conseqüências.
7. Evite o julgamento e a repressão na manifestação de sentimentos menos nobres como a raiva, a inveja, o ciúme ou o medo, na pretensão de favorecer mudanças no comportamento das crianças, muitas vezes baseadas na barganha pela manutenção do teu afeto ou no temor da punição divina.
8. Ensina teus filhos que não há problema no vivenciar sentimentos negativos e que os mesmos podem resolver-se por meio do reconhecimento de sua existência e de manifestações proativas.
9. Busca a coerência dentro de ti mesmo (a) entre os pensamentos, palavras e atitudes, promovendo referenciais sólidos à prole.
10. Reconhece-te humano (a), admitindo tuas fragilidades em benefício da relação com os filhos, sem, contudo, abdicar do manancial educador dessa oportunidade.
11. Percebe e elogia tudo aquilo que teus filhos fizerem em benefício de si mesmos e dos outros, principalmente no que partir deles, pontuando os bons resultados da iniciativa.
12. Observa a forma como teus filhos internalizam os fatos e as relações e os fortaleces para que encontrem a autorrealização, desenvolvendo paulatinamente a independência afetiva de forma a perceberem o poder que possuem para fazerem-se felizes.
13. Dialoga sobre tudo o que for possível com teus filhos de forma leve e instrutiva.
14. Acolhe teus filhos nos momentos de dor, sem julgamentos, dando crédito aos seus relatos de forma a evitar a sensação de abandono, antes mesmo de averiguar os fatos.
15. Oferece um prazo para que resolvam sozinhos os desafios, sendo agente facilitador no tocante ao reconhecimento de suas potencialidades para lidar com os problemas. Esteja por perto para fortalecer e auxiliar na criação, por eles mesmos, de estratégias.
16. Esteja atento (a) quanto aos próprios sentimentos. Filhos, muitas vezes, agem por ressonância e não devemos cobrar atitudes deles que nós mesmas não somos capazes de executar.
17. Não habitue teu filho a duvidar de si mesmo, desconfirmando suas percepções ou porque tem medo ou porque não quer perder a autoridade.


Ana Virgínia Almeida Queiroz - CRP: 01-7250

10 de ago. de 2012

Um ser humano chamado pai

Sentado no sofá, observava brandamente as crianças enquanto corriam e gargalhavam pela casa. Deslocava-se como névoa, permeando o quadro à sua frente, envolvendo-se de forma peculiar nas brincadeiras infantis, revolvendo sensações antigas, ricas lembranças do seu tempo de menino. Vez ou outra voltava-se a orientar sobre os perigos que envolviam as ações dos filhos e novamente permitia-se névoa, aspirando e sendo aspirado pelo colorido da dança lúdica da prole...


Ao me deparar com essa imagem, parei para refletir sobre as inúmeras limitações que a maioria dos homens apresenta em situações como a descrita acima. A preocupação constante no que se refere ao provimento das necessidades materiais da família reforça o resultado de uma existência sendo educados de forma a se distanciarem dos próprios sentimentos e consequentemente a dificuldade de se libertarem desse modelo e se envolverem de forma mais efetiva com os filhos.

A ameaça de perda do controle sobre as próprias emoções sugere diversos modelos paternos. Homens que se mantem no pedestal, que somem no mundo, que se ausentam frente ao computador ou à televisão e que massacram a família com exigências e cobranças infindáveis quanto ao perfeito funcionamento da dinâmica em questão. São homens que, inseridos em uma cultura machista, encontram no isolamento e nas compulsões a “cura” para suas dores infantis – as inúmeras necessidades emocionais não atendidas.

Frutos de uma educação exigente no que tange à demonstração de força e controle sobre o próprio sofrimento, integram um contingente de seres para os quais honra e respeito são os comandos que justificam a negação do que de mais autêntico existe em uma criança; e os meninos, nesse caso, são os que mais sofreram e, ainda, em muitas famílias, sofrem, não obstante a grande transformação social experimentadas nas últimas décadas relativamente ao tema. São homens, agressivos, depressivos, perversos, pedófilos, desrespeitados em sua inocência e essência, colaboradores da multigeracionalidade da ausência de amor em suas diversas formas de expressão, em razão primeira, talvez única e fatal, da não observância pelos próprios pais da sua individualidade quando criança.

E nesse turbilhão de conexões, ali, diante dos meus olhos, um homem, assim como muitos outros, representava a mudança de padrão, abstraindo vários dos obstáculos que precisa transpor. São os que trocam fraldas, dão banho, preparam o alimento, colocam para arrotar, levam para passear, rolam no chão, gargalham, participam das tarefas escolares e que, acima de tudo, buscam reconhecer dentro de si as limitações a um melhor envolver e conviver com a família, mesmo que isso ocorra de forma inconsciente. 

São os que conseguem, antes ou depois de uma ação explosiva, refletir sobre as motivações que os levaram a agir descompensadamente, os que pedem desculpas ou ajuda e que mostram fragilidade sem o receio de serem rotulados ou discriminados pelos próprios filhos. Que ocupam, mesmo sem anuência da esposa, seu espaço, que não sucumbem aos apelos do processo educativo patriarcal a que foram submetidos e que transmutam o sistema de crenças que gira em torno deles, transformando-se, reinventando-se, recriando-se sempre. 

Participar da dimensão emocional da família, sobretudo da vida de um filho, indica coragem para lidar com a própria história, que os levará ao reencontro, muitas vezes, com uma criança ferida, amedrontada e oprimida. Transpor a tendência repetitiva de normas culturais, definidoras do perfil masculino, permite que homens, como o descrito acima, vivenciem momentos plenos de encontro consigo e com os filhos, envolvendo-se não apenas no processo evolutivo das crias como também no próprio, facilitando o corajoso desafio rumo à resignificação da criança interna que trazem em si.

Psicóloga - Ana Virgína Almeida Queiroz - CRP: 01-7250


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