O muro da Depressão.

Não há dúvidas sobre a importância e influência dos pais na primeira infância de um indivíduo.

Mergulhando no inconsciente.

Muitas pessoas têm receio de fazer psicoterapia.

Um olhar para a depressão

A depressão é diferente do estado deprimido, o qual pode ser resultado de fatos corriqueiros

Tirando a poeira debaixo do tapete

Você sabe que algo não vai bem, mas não sabe como criar espaço para dizê-lo

As relações não curam todas as carências

“Nós escrevemos scripts para outras pessoas encenarem, mas esquecemos de lhes comunicar isso”.

Transtorno do Pânico

A síndrome do pânico enquadra-se no conjunto de transtornos de ansiedade

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26 de nov. de 2014

Vídeo sobre o amor...

Assim é o amor... primeiro assusta com sua força arrebatadora, depois encanta se nos permitirmos deixá-lo ficar e por fim, promove o desprendimento exalando um ar em estado de plenitude permanente...

This reaction is priceless!


Emocionantemente poético!
Uma excelente semana a todos...

Ana Virgínia Almeida Queiroz
Drágeas Psicológicas: www.drageaspsicologicas.com



A vida não oferece garantias...

Pois é!

Ele me liga no começo da tarde e diz:
"Ana Vi, preciso da sua ajuda. Indique-me um psicólogo..."
Seu propósito:...

"Minha mulher começou a fazer psicoterapia. Sei que ela vai mudar. Sei que ela vai crescer, ficar mais inteira. Nem que eu queira, conseguirei permanecer sua metade. Não está nos meus planos tomar um caminho contrário ao dela ou mesmo ficar atrás como expectador, enquanto ela se distancia ascendentemente. Quero ser inteiro e merecer estar feliz comigo mesmo e com ela ao meu lado..."

Medo, orgulho ou inveja?

"Pode ser os três?"

Rimos...

E ele já está no processo e nem percebeu...

Por mais seres humanos corajosos quanto ao enfrentamento de suas limitações emocionais!

Se os objetivos vão mudar ao longo do percurso? O que importa? Não há garantia para nada na vida, mas as possibilidades estão aí e sábio daquele que se permite vivê-las...

Ana Virgínia Almeida Queiroz

"A intriguenta tecnologia"

Há algum tempo removi o aplicativo facebook do meu iphone, permaneci em apenas um grupo, de trabalho, no whatsapp e desconfigurei a opção de visualizarem a última vez que lá entrei. Finalidade? Viver em tempo real minhas relações e compromissos. Estar presente, consciente, inteira e entrar cada vez menos em contato com a preguiça de TER QUE dar satisfação para pseudo relações ou com assuntos que e...m nada ou pouco agregam, furtando-me tempo precioso...

A pessoa visualiza e não reponde? Poxa! Ou está sem tempo ou não está interessada em dar atenção. Sinal que exige uma boa dose de maturidade no que se refere a lidar bem com a disponibilidade alheia, com a nossa urgência ou com a rejeição (o que pode ser a grande oportunidade de criar novas possibilidades, com pessoas diferentes).

Viu, não respondeu, justificou... vai saber se fala a verdade! Nesse intervalo entre o envio e a desconfirmação daquilo que gera incômodo no estômago, ou seja, a incompatibilidade entre a explicação do destinatário "desatento" e a própria leitura sobre a situação, nasce a dúvida sobre confiar na fala do outro, na própria percepção ou na "intriguenta" tecnologia e isso fragiliza, podendo nos tornar totalmente manipuláveis!

Controle, cobrança, fiscalização "afetiva", busca de confirmação quanto ao interesse alheio, são alguns dos itens inseridos em um cardápio amplo que objetiva saciar a fome de amor e aceitação... Virtual? Hum rum... #sqn!

Certos de uma digestão ansiosa e frustrante, o melhor caminho talvez seja, aprendermos a usufruir dos recursos tecnológicos com equilíbrio, reservando-lhe a deliciosa função de mantermos relações saudáveis que cresçam a partir desse limitado contato...

E cá entre nós... ainda está para nascer algo mais gostoso do que um bom café entre pessoas que se "curtem", assim como um telefonema inesperado para dizer "bom dia"... é de arrepiar e aquecer a alma!

O mapear com eficiência uma pessoa, guarda uma necessidade indiscutível do "olho no olho", sem subterfúgios que favorecem o esconder-se em justificativas mentirosas e que passeiam pelo delato das "gaivotinhas". A manutenção de amores e amizades, necessita de pele e até onde compreendo, a informática é "UM" caminho que "PODE" preparar para o melhor e que ainda está por vir...

Seria o virtual, o grande causador da superficialidade nas relações ou o recurso perfeito para fomentar a deficiência afetiva em cada um dos que apreciam "jogos emocionais"?

Não seriam aqueles, os medrosos para o "enfrentamento" de si mesmos por intermédio das relações verdadeiramente amorosas e recíprocas?

E se estes não somos nós, por qual motivo ainda perdemos tempo com eles?

Ana Virgínia Almeida Queiroz

Para Eça de Queiroz

 
 
"EÇA" vai para "ESSA" de Queiroz que extrai o fôlego que ainda nem nasceu do suspiro daquele que o antecedeu...

... um desses dias em que a paixão por não se sabe o porquê e por quem, quer arrebentar o peito e deixar a alma fugir...
 
 
... em que a garganta trava repreendendo a fluidez do impulso que cria, transforma e clama por ser partícula em devaneio no espaço...
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: ouvindo o link fica melhor:  fihttp://grooveshark.com/#!/s/Tema+De+Amor/3EHY0W?src=5

Ana Virgínia Almeida Queiroz

Aos meus filhos...

O ritual do chá noturno reza que no momento em que os membros da família se reúnem para o transcorrer dos fatos que ocorreram durante o dia, exercitam a troca entre si quando se interessam por aquilo que é verbalizado pelo outro.

Desenvolvem a capacidade da escuta, da síntese e do cuidado no momento de opinar sobre aquilo que está sendo ouvido.

O ritual do chá noturno, permite que cada eleme
nto da família possa escolher uma xícara da coleção. Isso permite a compreensão de que objetos tem que ser curtidos e direcionados para uso sadio, favorecendo a vivência do prazer já em pequeninas coisas.

O ritual do chá noturno, favorece o desenvolvimento no que se refere à escolha (do sabor, da xícara, do incenso e da música) e o rodízio de quem ficará de que lado da mamãe.

Permite ainda, informações sobre os efeitos da referida bebida para um sono satisfatório e o uso comedido do açúcar.

Auxilia no desenvolvimento da união e colaboração para arrumar a mesa com carinho e zelo.

No encontro noturno do chá, tem filha discursando para as eleições de representante de turma e filho desenhando a mãe com toalha de banho na cabeça enquanto indaga como pernilongos tão gordos chegam até o nosso apartamento no quinto andar.

No ritual do chá noturno cabe beijo, abraço e olhares se cruzando entre uma fala e outra... também entre o silêncio quebrado por uma deliciosa gargalhada infantil ao descobrir que os pernilongos na verdade não sobem gordos, mas assim ficam depois que nos chupam a noite inteira...

Uma deliciosa noite a todos!
A minha já está ganha!
MamÃNA

Ana Virgínia Almeida Queiroz

Um VIVA ao não virtual!

Um VIVA ao não virtual!

Ao dito com poucas palavras... no sussurrar da ressonância psíquica ou conversa entre almas... como queira definir... se é que há como decifrar isso...
aos beijos sem fim para acabar, aos abraços que fazem a energia correr pela espinha, de baixo para cima, "indo e voltando, pelo mesmo caminho"...
 
 
 
às pernas bambas de tanto dançar, derretendo na cruzada de olhares ou quando simplesmente nos permitimos "amar",
ao cheiro de sol, suor e café...
às caminhadas sem hora para voltar...
 
Delícia isso!

Aniquilando facebook / messenger do meu iphone em 3,2,1...
 
 Ana Virgínia Almeida Queiroz

24 de nov. de 2014

Sobre relações extraconjugais

 
As relações extraconjugais em minha percepção, não tem outra finalidade a não ser a manutenção do matrimônio (doente ou de fachada).
São três pessoas ou mais, que se encontram pela metade, buscando uns nos outros a solução para seus vazios existenciais. De nada contribuem para o crescimento de ninguém, de nada resolvem conflitos.
Servem como paliativos ilusórios para manter relações baseadas em ...
projetos que atendem necessidades sociais e não do SER...
Se desejamos o amor, então que o busquemos dentro de nós mesmos, sendo sinceros e verdadeiramente corajosos ao admitir que o afeto que ainda existe pelo outro mudou e que o mesmo não mais pode vestir a roupagem de cônjuge.
Sejamos francos, felizes e livres para escolher a reedição de nossa trajetória afetiva a vivermos enclausurados na solidão a dois. Só assim não sufocaremos o outro com a nossa própria frustração em não podermos SER. 

Ana Virgínia Almeida Queiroz
Drágeas Psicológicas no facebook: https://www.facebook.com/drageaspsicologicas


 
Por Doris Lessing

"... nos triângulos desamorosos, quando a pessoa tem a sensacão de não pertencer ao mundo do parceiro, bate em retirada se tiver boa auto-estima! Logo, irá buscar o seu lugar afetivo longe dali, sem exigências, sem “indenizações”. Se, ao contrário, for ressentida e invejosa tentará destruir o parceiro, o grupo, os filhos… não importam as feridas, os golpes, ainda que na própria pele. Lessing demonstra, com lucidez, estas duas escolhas..."

Vale a leitura.

6 de mar. de 2014

DEPOIS DOS 40

Às vezes antes dos 40...
... às vezes nem depois...

DEPOIS DOS 40

Fabrício Carpinejar

Depois dos 40 anos, o pensamento feminino muda, desembaraça.

O sexo não é mais performance, exaustão, é fazer o que se gosta e do jeito que gosta. É aproveitar dez minutos com a intensidade de uma noite inteira, é reconhecer o rosto do próprio desejo no primeiro suspiro, é optar pela submissão por puro prazer, sem entrar na neurose da disputa ou do controle.

A mulher de 40 não diminui o ritmo da intimidade. Pode ler um livro com a intensidade de uma transa. Pode assistir um filme com a intensidade de uma transa. Pode conversar com a intensidade de uma transa. Ela não tem um momento para a sensualidade, a sensualidade é todo momento.

Tomar o café da manhã não é apenas um desjejum, tem a sua identidade, o seu ritual, um refinamento da história de seus sabores. Tomar o café da manhã com uma mulher de 40 anos é participar de sua memória, de suas escolhas.

Ela não precisa mais provar nada. Já sofreu separações, e tem consciência de que suporta o sofrimento. Já superou dissidências familiares, e tem consciência de que a oposição é provisória. Já recebeu fora, deu fora, entende que o amor é pontualidade e que não deve decidir pelo outro ou amar pelos dois.

A mulher de 40 anos, cansada das aparências, cometerá excessos perfeitos. É mais louca do que a loucura porque não se recrimina de véspera. É ainda mais sábia do que a sabedoria porque não guarda culpa para o dia seguinte.

A beleza se torna também um estado de espírito, um brilho nos olhos, o temperamento. A beleza é resultado da elegância das ideias, não somente do corpo e dos traços físicos.

Encontrou a suavidade dentro da serenidade. A suavidade que é segurança apaixonada, confiança curiosa.

O riso não é mais bobo, mas atento e misterioso, demonstrando a glória de estar inteira para acolher a alegria improvisada, longe da idealização, dentro das possibilidades.

Não existe roteiro a ser cumprido, mapa de intenções e requisitos.

Há a leveza de não explicar mais a vida. A leveza de perguntar para se descobrir diferente, em vez de questionar para confirmar expectativas.

Ser tia ou mãe, ser solteira ou casada não cria angústia. Os papéis sociais foram queimados com os rascunhos.

A mulher de 40 é a felicidade de não ter sido. É a felicidade daquilo que deixou para trás, daquilo que negou, daquilo que viu que era dispensável, daquilo que percebeu que não trazia esperança.

Seu charme vai decorrer mais da sensibilidade do que de suas roupas. O que ilumina sua pele é o amor a si, sua educação, sua expressividade ao falar.

A beleza está acrescida de caráter. Do destemor que enfrenta os problemas, da facilidade que sai da crise.

A beleza é vaidosa da linguagem, do bom humor. A beleza é vaidosa da inteligência, da gentileza.

Depois dos 40 anos não há depois, é tudo agora.

Publicado na Revista Isto É Gente
Março de 2014 p. 50
Ano 14 Número 706

Compatibilidade

 
Desejo a todos, dias com sabor de mel.
Para os problemas, solução.
Para o mau humor, a busca da cor.
Para os minutos que ultrapassam o limite dos compromissos, criatividade.
Para a agressão da rotina, flexibilidade. ...

Que nada seja mais forte do que o que de origem os uniu.
Os dias podem correr suaves quando o saltar por obstáculos é feito de mãos dadas.
Desejo que os olhares sempre se encontrem e que ali permaneçam, evitando assim que apenas atravessem o ser amado.
Encontros são possíveis quando a alma está em festa!

Ana Virgínia

O fofoqueiro

Gente fofoqueira é bicho interessante (com todo respeito aos animais)...

Têm uma vida repleta de problemas, reticências, sujeiras e senãos. Deve ser muito difícil lidar com tudo isso e talvez por essa razão fica menos doído olhar para fora.

Há fofoqueiro de toda natureza (com todo respeito à criação divina)...

Difícil saber qual é o menos ruim. Se aquele com discurso religioso, se do sexo mascu...
lino, se do tipo mais "aceito" do ponto de vista cultural - mulher!

 Por maldade, por inveja, por cobiça, por negação de si mesmo, fofoca pode ser bem divertida quando o centro do mal feito for você.

 Lide bem com a brincadeira de mau gosto. Aprenda a se divertir com contos criados sobre você (com todo respeito à Literatura). É fácil de sentir o odor fétido da mesquinhez. Quando isso acontecer, ria alto, mas de boca fechada para não engolir o mau cheiro!

Se para quem fofoca, nossa vida é uma distração, confesse... sua vida é divertida mesmo. Não tenha receio de ser feliz!

O melhor remédio para fofoqueiro (se você conseguir): aumente os indícios sobre aquilo que ele pensa saber melhor que você mesmo e se sente no direito de passar adiante. Deixe que seu sentimento de onipotência, de estar acima do bem e do mal cresça.

Deixe, vá deixando, ria por dentro (isso requer um certo talento para "espírito de porco") e não faça nenhum movimento que te posicione na vitimização ou moralismo. 

A língua do fofoqueiro cresce, até que um dia ele acorda sufocado na própria sucuri (com todo respeito aos rastejantes). Seus atos falam por você.

Delícia é ver fofoqueiro perdido depois de inventar tanta história ou especular sobre seu caráter e escolhas, perceber que nenhuma verdade inventada bate com suas atitudes. Fica como barata tonta (com todo respeito aos insetos).

Dali, ou ele muda o discurso sobre você ou busca outra vida para cuidar - que não a dele, que é uma bosta (com todo respeito à sabedoria orgânica). 

Mas não se iluda. A mudança no comportamento normalmente é uma estratégia para ganhar espaço de novo. Para isso têm um discurso pronto e fraterno. Normalmente estão apenas trocando informações para melhor ajudar você. São tão puros e inofensivos nossos cuidadores...
#sqn!

Tem fofoqueiro que gruda que nem carrapato. Devolva seu veneno. Nunca o aceite!
Seja qual for o estilo dele, todos funcionam como parasitas. Precisam da luz alheia para sobreviver.

Desmentir um fofoqueiro é como arrancar um pirulito de criança (mimada e birrenta), trazendo junto o couro do céu da boca. Pena que a pele se refaz em poucos dias e ele está pronto para outra. Fofocar é um vício, um hábito. Uma comprovação de que necessita de um outro (imaginário) para ser "feliz".

Paciência para com os fofoqueiros. Eles são almas em processo de sofrimento profundo que ainda não encontraram a luz e se desconectaram há muito tempo do amor...
Ninguém está imune à mentira sobre a própria vida. Falar da vida alheia é uma escolha, se aborrecer com isso também.

Não conheço outras soluções senão o isolamento ou um click na tecla "F".

... melhor dedos calejados a deixar de viver!

Bom dia!
 
Ana Virgínia - 26 de fevereiro de 2014

16 de out. de 2013

Que seu par...


 
 
Que o seu par seja seu espelho e o sendo,
reflita o que de melhor e pior existe em você e os refletindo,
lhe possibilite crescimento pessoal e crescendo,
que construam juntos uma relação cada vez mais recíproca e afetiva, livres do eco...

Ana Virgínia Almeida Queiroz
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Sobre as relações

 
REFLETINDO SOBRE AS RELAÇÕES (só isso!)

Sabe o tipo de pessoa que não demonstra o menor interesse por você?
Que o silêncio sugere estratégia de manipulação e existência do medo?
Que a indiferença é mais uma forma de agressão do que ausência de sentimento e assim fica caracterizada porque a pessoa é mais apegada à raiva do que ao amor? ...

Pois é... sem ciúmes, sentimentos de preterição ou qualquer coisa dessa natureza...

DEIXE IR!
DÊ DE GRAÇA!

A palavra é: RECIPROCIDADE (sem isso nem perca o seu tempo)!

Ana Virgínia de Almeida Queiroz

25 de ago. de 2013

Um pouco do escrevente emotivo


Estes seres definidos por uns como gênios, por outros como lunáticos são mãos que escrevem mais como coração do que com a razão. Sequiosos pelo conhecimento das coisas, dos sentimentos, das pessoas e detentores de ideias latejantes, são inquietos. Mente e corpo trabalham incessantemente produzindo dança em seus psiquismos. 

 Os cinco sentidos vivem em harmonia, muito embora não se possa afirmar que este pro...
cesso aconteça de forma consciente, o que os tornam abertos às experiências e às sensações. Não se esquivam em vivenciar aquilo que as horas lhes apresentam. Permitem que a vida os conduza à inspiração por sensações diversas, manifestas em sons, cores, gosto, cheiro e toque.

 Não. Eles não chegam a ser levianos. Vivem simplesmente. Encaram a beleza e a lógica, a dor e o amor. Reciclam, criam, ressignificam. Sempre fluídos e intensos.

 Escrevem sobre si e sobre os outros. Misturam histórias, inventam outras tantas. São criativos porque trazem o hábito da leitura, da escuta de uma boa música, do diálogo saudável. Na infância certamente brincaram e conversaram "sozinhos", favorecendo a dinâmica da percepção sobre o que acontecia dentro de si mesmos. Esse processo, com a maturidade, os encaminha para dentro de outras pessoas.

 Um talento extra corpóreo os auxilia a captar vibrações e a escrevem o que imaginam ou quem sabe, a realidade. Julgam poeticamente o que, muitas vezes, os tornam carismáticos pela sensibilidade de dizer sem ferir.

 Aqueles que escrevem nem sempre querem ser compreendidos. Amam o que fazem e se realizam com a sintonia entre sentimentos, mente e mãos. Serem lidos é um detalhe e se assim não fosse, desistiriam da escrita com as primeiras críticas dos que não alcançam suas essências.

Não se deve perder tempo tentando entender o ser escrevente pelos seus textos. É como montar um Frankenstein literário. O interessante aqui é sentir tudo o que ele tenta reunir em linhas, pois trata-se de uma compilação de conhecimentos adquiridos por toda uma vida (relações, frustrações, alegrias, amores, temores, leituras, estudos e contato com as artes).

Também pode ser definido como "profundo" e é verdade! Fala do escuro da alma e das luzes do universo. Às vezes provoca assombro, outras plenitude. Ele reflete aquilo que todos trazem dentro de si, mas que se perderam quando se entregaram ao mecanicismo dos dias que direciona à busca infindável do TER e não do SER.

Ana Virgínia Almeida Queiroz

5 de ago. de 2013

PARA OS CASAIS QUE LUTAM PELOS SEUS CASAMENTOS!


Não raro ouço atentamente o lamento de amigos (as) que percebem o casamento naufragando. Sempre digo a mesma coisa: incremente nos programas a dois, na relação sexual. Pai e mãe têm o direito de namorar, de conversar sozinhos, de inovar, de explorar juntos novas fontes de prazer - inclusive a sexual. 

Inúmeros se queixam que ao se tornarem pai e mãe, deixaram de ver seus parceiros como homem e mulher - viraram amigos. E o desejo? O amor? Não é o casamento que destrói uma relação. É o comodismo, a dificuldade de delegar, de ceder e "se jogar". 
Sejamos teimosos!

O texto a seguir traduz tudo o que "grita" dentro dos casais...
Muito bom!

Boa leitura e bons resgates!
Ana Virgínia

6 de fev. de 2012

As relações não curam todas as carências

“Nós escrevemos scripts para outras pessoas encenarem, mas esquecemos de lhes comunicar isso”. Assim relatava um velho conhecido, referindo-se à descoberta de um dos pontos geradores de grandes conflitos nas relações.

Baseadas em suas próprias experiências, as pessoas ao se envolverem, comumente criam expectativas quanto à outra pessoa. As necessidades de um adulto aproximam-se daquelas originadas na infância, uma vez que parte dos desejos infantis não são totalmente saciados nessa etapa do desenvolvimento. Carinho, amor, reconhecimento, entre outros, fazem parte de um conjunto de demonstrações de afeto que se espera de quem partilha a convivência, mas isso não quer dizer que as mesmas deverão ocorrer exatamente da maneira como se deseja.

Necessidades não atendidas podem gerar inúmeros tormentos dentro de um relacionamento, trazendo à tona mágoas antigas nem sempre iniciadas na própria relação, mas que se confundem com o presente. Como resultado, um cenário de cobranças e acusações acerca de quem se doa mais, de quem constrange mais, de quem é mais egoísta, de quem nunca reconhece o que o outro faz e assim sucessivamente. 

Nem sempre esses conflitos ocorrem explicitamente, em forma de discussão. Não raro, são velados, provocando sensações de desconforto , sem que as partes consigam identificar a causa, gerando um distanciamento entre as pessoas. Em uma família, as carências e os desejos de um indivíduo sempre interferem nas atitudes dos outros, restringindo assim, a liberdade, criando uma espécie de interface intangível, a afetar e condicionar silenciosamente, as ações e, sobretudo, as reações de cada um.

Uma vez instalada a sensação de aprisionamento, dificilmente consegue-se perceber quando o outro não está cobrando, quando pode estar apenas tentando restabelecer contato. Quando a má vontade em reconhecer as qualidades do outro toma conta da relação, torna o diálogo inviável e, por uma questão de tempo, o rompimento acontece, quando não um vínculo desgastado e levado adiante, sem entusiasmo.

Mas isso não é o fim do mundo. Reconhecer o outro como unidade – no sentido de um ser inteiro, integral – diferente é o primeiro passo. Uma pessoa não está dentro da outra, nada pode adivinhar sobre o não verbalizado. Quando a necessidade é dita claramente, o outro pode até querer e tentar satisfazê-la e isso será surpreendente, mas precisa ser dito.

E se a outra pessoa não quiser supri-la? Paciência! O outro não existe para servir. Mas pode mostrar afeto de outra maneira e é importante exercitar a flexibilidade para perceber e aceitar a forma como consegue demonstrar sua afeição.

Outro ponto importante é compreender que homens e mulheres possuem funcionamentos diferenciados e que suas reações muitas vezes estão atreladas a padrões sexuais e culturais e não necessariamente a questões pessoais.



E, finalmente, lembrar que o diálogo não é um espaço para a expressão agressiva das frustrações. Trata-se de um mecanismo valioso na busca do fortalecimento do vínculo entre as pessoas e como tal deve ser utilizado como forma de construir relacionamentos mais autênticos e libertadores.

Em qualquer relação, seja ela marido e mulher, mãe e filha, entre amigas, as expectativas podem causar grandes danos quando nos deparamos com o ser humano que habita em cada um, podendo provocar o fim naquilo que de mais autêntico poderia existir entre as pessoas - o afeto!


Ana Virgínia de Almeida Queiroz
Psicóloga / CRP: 01-7250


A música abaixo retrata essa realidade.
Condição humana - Línux



 

3 de fev. de 2012

Dizer não...

Por Daniella Araújo

Era um grupo de amigas conversando no bar.

Uma estava noiva, a outra namorando, uma estava ao sabor do vento (como ela gostava de nominar seu estado solteiro) e a última era casada.

Uma delas lembrando que a casada completaria 15 anos de relacionamento com o marido perguntou: Vc é feliz? Vc acha que valeu à pena?


“Sim, sou feliz. E sim, valeu e vale muito à pena.” Respondeu a amiga casada.

De pronto a outra devolveu: “Como você consegue? Qual a fórmula?”
A outra parou e ficou um tempo pensando... Então ela respondeu:
“Aprender a dizer não!”
As outras três não entenderam e se entreolharam.
Nisso ela continuou:

“Deixem-me explicar uma coisa:
Desde quando nós começamos a nos relacionar eu sempre dizia sim. Primeiro eu dizia pq estava apaixonada. Depois eu dizia por insegurança. Queria garantir que ele estivesse comigo sempre e achava que meus “sims” garantiriam isso. Sim. Eu era muito insegura, muito nova e extremamente apaixonada a fim de me cegar quanto ao que eu queria. Então eu fui sempre dizendo sim. Eu não queria comprá-lo, mas eu queria que ele percebe-se que eu era uma companheira para ele.

Obviamente uma relação é feita de alegrias, tristezas, ganhos e perdas. E houve sim uma época que nós tivemos sérios problemas, principalmente no que dizia respeito à dinheiro. E chegou um dia que eu tive que dizer não.

Já havia tempo que eu dizia sim mesmo com o coração apertado ou tendo dúvidas se as decisões que estávamos tomando eram as mais acertadas. Às vezes eram medos infundados... outras vezes eram análises racionais... Mas eu sempre dizia sim.

Nesse dia eu disse não. Aquele foi um dia definitivamente ruim.

Ele ao ouvir minha posição contrária a dele estremeceu, mudou o tom de voz que de doce passou a áspero. Vi um veio de raiva saltar no pescoço e os olhos cheios de ira eram inconfundíveis.

Aquele foi um dia triste, chovia dentro de mim, tempestade emocional.. relâmpagos, trovões.... chorei. Mas eu me mantive firme naquela decisão. Eu tinha certeza que ao dizer não estava salvando muito da nossa relação, embora naquele momento parecia mais que estávamos criando um abismo sem fim.

Aprendi naquele dia que dizer não significava muito mais do que dizer sim. Significava dizer ao outro que o ama, que o respeita, mas que por isso mesmo pode e deve lhe dizer não quando o pedido parece ser algo ruim. Nós não temos bolas de cristais para saber o que será da nossa vida... quem encontraremos.. ou se um negócio dará certo ou não... Mas temos que ser coerentes com o que pensamos e vislumbramos.

Dizer não significa amar o outro com ainda mais força! Significa aceitar que você pode e deve pensar diferente. Se vc ama o outro vai dizer não em uma ou outra situação, pq relacionamento é ceder... mas ceder dos dois lados... Não só eu posso ceder, o outro também tem que ceder.

Dizer não significa dar ao outro um motivo para te olhar e enxergar verdadeiramente como você é: um ser humano cheio de nuances e que tem vontades e desejos também. Se vc sempre diz sim o outro não te enxerga, logo não pode saber quais são seus anseios e obviamente não vai satisfazer suas vontades.

Naquela noite quando voltei para casa ele já estava lá. A cara amarrada. Não havia clima nem mesmo para o jantar. A conversa foi burocrática. Eu, claramente, não sabia o que esperar dele. Pensei até que ele me proporia a separação.. ou coisa parecida (era novamente a insegurança me tomando). Simplesmente ele tomou um copo de leite e disse que ia dormir.

Nos dias seguintes fomos nos paquerando novamente. Era como se ele tivesse descoberto uma nova pessoa. Ele me enxergou. Podia ter dado errado. Ele podia ter me enxergado e pensado que não era bem isso que queria. Mas foi o contrário: ele me viu pela primeira vez como eu realmente era. Percebeu que eu tinha sonhos, desejos, necessidades não reveladas.

Falar não abriu caminho para poder falar outras coisas antes tão escondidas no meu coração. Falar não possibilitou vivermos uma relação verdadeira.

É. Acho que é isso. Esse é o nosso segredo de sucesso. Mas podem haver vários. Para cada casal uma aliança diferente!”


27 de jan. de 2012

Vivo, logo, desejo...

“Simples assim!”
  Será?

Eram duas jovens conversando atrás de mim na fila do banco. Uma relatando à outra sobre a confusão de sentimentos instalada, desde que se percebera atraída por um colega da faculdade. A relação com o namorado não era a mesma, definindo-a como morna. A amiga, na tentativa de auxiliar ou piorar o conflito – como sabê-lo?- lança mão de toda sua experiência de vida para explicar que quando a relação chega em tal estágio é sinal de que o amor acabou, se é que existiu algum dia. A outra emudeceu.

Inevitável, para mim, imaginar em como ela estaria processando a fala da conselheira.

Impossível perceber as relações de forma tão estanque quando se está inserido em um processo de crescimento, que envolve o reconhecimento das próprias emoções e motivações. As telenovelas e a psicologia de banca de jornal perdem a graça. O horóscopo diário deixa de fazer sentido. “O conselho amigo” já não é tão necessário, pois existe a consciência de que ele está atrelado às experiências de outra pessoa, com valores diferentes.

Há uma tendência natural, em situações conflitantes como a descrita, que o desabafo pareça a melhor opção. O que leva à sua prática é também a necessidade da confirmação das próprias convicções e sentimentos, que pode resultar, no final das contas, em culpa; aquele que ouve e aconselha faz aumentar o sofrimento, frustrando todas as esperanças do solicitante.

Nesse contexto, e em diversos outros, é comum projetar em outra pessoa a capacidade de discernimento e as necessidades de aprovação e solução para a problemática, na expectativa de que ela (a outra pessoa) funcione como eco para aquilo que está dentro daquele que projeta e que desconhece tal potencial. E isso não para por aqui. As projeções podem variar entre imagens carregadas de sensações positivas ou negativas, geradoras de afinidades ou antipatias, de amor e de paixão ou aversão, além de inúmeras expectativas.


E agora? O que faço com isso?

Para grande parte das mulheres, lidar com sentimentos despertados a partir da convivência com um homem que não é o seu companheiro pode se tornar uma experiência conflitante. É provável que a nossa cultura monogâmica e de bases machistas exerça uma forte contribuição, e conduza a conceitos extremistas sobre o tema, forçando uma tentativa de "homicídio" dos instintos vibrantes da energia vital e que, necessariamente, não estão vinculados ao sexo.

Tende, muitas vezes, a confundir os sentimentos, julgando-se apaixonada e traidora. Desconecta-se de si mesma quando desiste de sentir-se viva, por falta de compreensão dos impulsos e por culpa e esta última aumenta quando o desejo se manifesta ou se concretiza de forma desfavorável à sua maturidade e ao seu preparo em lidar com ela.



Desejar, sentir-se atraída, encantar-se, pode fazer parte do conjunto de sentimentos projetados em alguém, assumindo esse o ônus por tal processo, quando na verdade ele também projeta. Fácil de provocar confusão. A maioria das pessoas só acredita na existência do amor ou do desamor, ignorando um longo caminho que liga os extremos e de onde podem surgir as mais fantásticas relações de amizade, cumplicidade e afeto, sem necessariamente comprometer um relacionamento pré-existente.


Ainda do ponto de vista comum (amor ou desamor), se a atração acontece, há entrega ou repressão. Se há entrega, pode surgir a culpa; se há repressão, episódio semelhante pode ocorrer no futuro, obrigando um olhar mais cauteloso e compreensivo sobre si mesmo, ignorado em oportunidades anteriores.

Não é simples lidar com esses sentimentos quando não se tem ao menos a noção de que a condição para se desejar alguém não é simplesmente o amor ou a paixão. A condição é estar vivo. O “poder” que o outro exerce sobre o desejo de alguém é o de um dispositivo que favorece a descoberta, o contato com essa maravilhosa energia criadora a que chamamos sexualidade, e que está dentro de cada um.

De posse dessa noção e das inúmeras escolhas que se pode fazer – da substituição do par ao investimento de tais sentimentos na relação já existente – é louvável lembrar que o problema não coabita no despertar dos impulsos, mas na maneira como se lida com as escolhas a partir deles.


O narcisismo nas relações

Narciso morreu apreciando a própria imagem, projetada nas águas de uma fonte, completamente entorpecido com a beleza apresentada.  Contextualizando o mito, não seria estranho imaginar que parte das relações também se baseia nos sentimentos originados do reflexo da própria imagem, percebido no olhar alheio. Enamorar-se de alguém pode estar atrelado ao encantamento por si mesmo espelhado em sua íris e, dessa forma, deixar de gostar vincula-se à morte da projeção de si mesmo no outro.

Amar está além das próprias necessidades de autoafirmação. É o olhar generoso para outra individualidade. Envolve a compreensão do “não-eu”, livre do egoísmo que teima na busca da própria realização, desconsiderando os limites da relação. É o bastar-se, mas receptivo às investidas que emanam de fora. O encontro de si mesmo, independente, solitário, amadurecido e com pontos de interseção bem definidos.

Não se trata de tarefa fácil, mais uma jornada cujos dividendos afetivo-emocionais podem fazer valer o investimento, se observadas as reais necessidades envolvidas na situação em comento e a garantia de um bem estar resultante, independente do caminho escolhido.


Ana Virgínia Almeida Queiroz – Psicóloga – CRP: 01-7250


Artigos relacionados:

1. Traição: uma via de mão dupla
2. Tirando a poeira debaixo do tapete
3. As relações não curam todas as carências






26 de jan. de 2012

Tirando a poeira debaixo do tapete


"Você sabe que algo não vai bem, mas não sabe como criar espaço para dizê-lo". Imagine um casal. Eles saem para comemorar seu aniversário de casamento; restaurante luxuoso, boa comida, vinho de safra especial. Relembram como tudo começou, a chegada dos filhos e... ele tenta falar sobre a vida sexual deles. Ela demonstra prontamente sua insatisfação em tocar no assunto; ele insiste, ela se mantém firme em não conversar a respeito; ele recua, o assunto "morre".

A grande maioria das pessoas se queixa sobre a dificuldade que encontra na tentativa de conversar com seus cônjuges ou filhos, especialmente quando percebem que uma crise (ressentimento e mágoa bem instalados) está perto ou já tomou conta da relação. Nesse momento, as sensações de desamor aumentam, crescendo também o distanciamento entre as pessoas. Sendo o diálogo uma solução para os problemas nos relacionamentos, como é possível favorecer seu surgimento e, mais, resultados eficazes a partir dele?

Em um diálogo, duas atitudes são extremamente importantes e igualmente difíceis – falar e ouvir. Aquele que convive comigo e que me conhece melhor do que ninguém, certamente falará sobre coisas que tento esconder de mim mesmo. Tomarei suas palavras como uma acusação e isso irá doer. Logo, a defesa: a recusa em escutar e o ataque. Quando falo, mostro ao outro aquilo que ele não quer ver, ele vai se defender, me agredir e isso também incomodará. Ver a pessoa que amo triste pelo que foi dito também machuca. Na tentativa de fugir da própria dor e de não provocar a dor na pessoa amada, jogo a poeira embaixo do tapete. A longo prazo, isso resulta na destruição do vínculo.

Quando tento, dentro de um processo de autoconhecimento, reconhecer, aceitar e mudar minhas limitações, a fala do outro não será uma surpresa, consequentemente não necessitarei me defender dela. E, ainda dentro desse mesmo processo, perceberei como nos estágios anteriores da vida (infância e adolescência) eram recebidas e sentidas as críticas positivas e negativas destinadas a mim e enviadas por mim – isso seguramente interferirá na maneira como desempenharei os papéis de emissor e receptor em um diálogo.

Para o receptor, o que mais se destaca é a crítica; para o emissor, sua fala nada mais é do que um conjunto de sugestões e julgamentos concentrados no afeto pelo outro. O resultado: dois monólogos. No exercício de autodescobrimento, ambos, revendo sua própria história e o aprendizado oriundo dela, podem falar e ouvir transformando os monólogos em um diálogo. Deborah Tannen (2003) diz: "É difícil separar os sentimentos ambíguos de carinho e crítica, porque a linguagem funciona em dois níveis: a mensagem (o sentido das palavras e das frases faladas) e a metamensagem (o significado não dito – pelo menos não com tantas palavras). Separar esses níveis – e estar ciente de ambos – é crucial para melhorar a comunicação em família."

A maturidade na relação e também no nível individual é atingida quando nos tornamos capazes de compreender que existem duas verdades, não a minha e a errada, mas a minha e a do outro. Ouvir, avaliar os sentimentos, ponderar, escolher as palavras, a intensidade da voz, falar, ouvir e assim sucessivamente... seria a solução ideal para conservar e aumentar o amor que aproximou as pessoas, mas exige a coragem de olhar para si mesmo no processo único e precioso de desvendar sua mais profunda e verdadeira essência.

Suporte bibliográfico:

- Minhas razões, tuas razões – Paulo Gaudencio (1994);
- Só estou dizendo isso porque gosto de você – Deborah Tannen (2003).


Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250

25 de jan. de 2012

Traição, uma via de mão dupla.


Por um lado, motivos variados para trair: insatisfação no relacionamento, curiosidade, impulso sexual, vaidade, estresse, fuga, sensação de sufocamento na vida conjugal, auto afirmação. Por outro, razões suficientes para sofrer quando traído: necessidades não atendidas ( expectativas frustradas), perda da confiança no outro e em si mesmo, sentimentos de abandono, preterição, baixa auto estima, desvalorização, injustiça e auto cobrança quanto a um desenvolvimento perfeito na convivência a dois. 

A traição pode provocar dor em qualquer um dos lados envolvidos e, dependendo dos motivos daquele que trai (nem sempre a traição está atrelada a falta de amor), ele também pode sofrer as consequências do ato como a culpa por ter sido desleal ao outro, mas principalmente aos próprios princípios, desejando ser punido até mesmo com o rompimento da relação. A punição é a forma mais comum utilizada como vingança contra aquele que traiu, atraindo o risco de inversão no “jogo”, onde a vítima passa a ser o algoz, favorecendo a “isenção” de culpa naquele que primeiro traiu , podendo acontecer com ato da mesma natureza ou, nos casos de não rompimento, infligindo ao traidor a dor “provocada”, tendo o outro como seu eterno devedor (“...podemos até ficar juntos, mas eu vou te aprisionar eternamente a sua culpa!”). 

Quanto ao rompimento, este parece ser a saída mais “fácil”, ao menos do ponto de vista da complexidade de enfrentar a raiva, a desconfiança e demais sentimentos provocados no outro. Para o traído, a convivência com a insegurança gerada pela sensação de ser substituído a qualquer momento é frequente e dolorosa. Para aquele que trai, prosseguir com a culpa e com o sofrimento infligido ao outro também não é confortável. A reconstrução do relacionamento se torna inviável quando o casal “rumina” a experiência como forma de atingir negativamente o outro. A recorrência de discussões nas quais o episódio é lembrando com frequência gera mágoas infindáveis, impossibilitando que o casal cresça com a experiência.
Reestruturar uma relação desestabilizada por essa dor não é tarefa amena, mas possível. O mais difícil é permanecer na relação simplesmente para não abrir mão do outro, sem fazer esforço para reconquistar mutuamente a confiança. Ambos precisam estar comprometidos com a relação e consigo mesmos, cabendo ao traído a reflexão sobre atitudes que possam ter precipitado tal escolha do parceiro e a este o reconhecimento da motivação impeditiva para frear tal atitude, o que favorece, além da revelação de algumas limitações afetivas, a não submissão a uma possível tortura do traído (“... infelizmente eu não posso mudar o que eu fiz, mas posso me comprometer a cuidar mais da nossa relação...” – conforme o relato de uma esposa que traíra e o marido, recorrentemente, tentava subjugá-la com a culpa, até que ele se convenceu da esterilidade dessa postura e cessou o “massacre”).

A desconexão entre os casais é uma explicação plausível para que eventos como este encontrem espaço nos relacionamentos. O olhar em direções opostas e o desrespeito à individualidade do outro – ignorando a realidade de que todo ser humano eventualmente necessita se recolher em seu próprio espaço psíquico (momentos destinados à realização do indivíduo e que não envolvem o parceiro (a)) – contribuem para o distanciamento do casal, dando causa a comportamentos diversos, geradores de conflitos, que poderão resultar em uma traição, que nada mais é do que a consequência e não a causa de uma crise.

O diálogo e as demonstrações de afeto ainda são as formas mais eficazes para “aparar arestas” (ver artigo: Tirando a poeira debaixo do tapete), e o processo de autoconhecimento instiga o desvendar de potenciais para trair ou se vitimizar, além de reconhecer nas entrelinhas de uma dinâmica afetiva o que de fato pode miná-la ou direcioná-la para a satisfação.

Suporte bibliográfico:

Não discuta a relação - Patricia Love e Steven Stosny
O Anel que Tu Me Deste - Lidia Rosenberg Aratangy 
Só estou dizendo isso porque gosto de você – Deborah Tannen


Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250

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