O muro da Depressão.

Não há dúvidas sobre a importância e influência dos pais na primeira infância de um indivíduo.

Mergulhando no inconsciente.

Muitas pessoas têm receio de fazer psicoterapia.

Um olhar para a depressão

A depressão é diferente do estado deprimido, o qual pode ser resultado de fatos corriqueiros

Tirando a poeira debaixo do tapete

Você sabe que algo não vai bem, mas não sabe como criar espaço para dizê-lo

As relações não curam todas as carências

“Nós escrevemos scripts para outras pessoas encenarem, mas esquecemos de lhes comunicar isso”.

Transtorno do Pânico

A síndrome do pânico enquadra-se no conjunto de transtornos de ansiedade

28 de fev. de 2012

Emoção, obediência, doença e cura


Alice Miller em sua obra A Revolta do Corpo, nos leva a refletir sobre a forma como emoções oriundas de experiências dolorosas na infância, reprimidas em favor de normas culturais e religiosas, se tornam nocivas, se manifestando em forma de doenças de ordem física no futuro. 

Não raro, pacientes que buscam a psicoterapia e que apresentam alguma queixa de nível orgânico não percebem as emoções atreladas ao sofrimento manifestado. Muitos foram maltratados, abandonados física ou emocionalmente na infância, sem registro no corpo, mas fortemente presente no psiquismo. A referência se faz a despeito da não observância das necessidades afetivas de uma criança, como o respeito por ela enquanto ser humano. Zombar ou desqualificá-la, não confirmá-la ou não acolhê-la em suas dúvidas e medos também geram sentimentos de solidão e a desconfiança em si mesma. Mas em razão da crença a respeito de um amor incondicional dos pais e da obrigação quanto à gratidão, são treinadas a não entrar em contato com a dor originada nesse tipo de vivência, negando-a como forma de não se sentirem culpadas ou serem punidas. 

Crescem se convencendo de que a idoneidade familiar é mais legítima que as próprias percepções e passam toda uma vida lutando pelo reconhecimento e amor da família. Nosso organismo denuncia aquilo que nossa razão não quer ou não pode aceitar por medo dos julgamentos e represálias, resultantes de um sistema de crenças, baseado em preceitos cujos sentimentos negativos devem ser combatidos em qualquer situação, principalmente no que ser refere ao contexto familiar. Em resumo, seria mais ou menos assim: no íntimo o indivíduo sabe que os sentimentos negativos são legítimos e justos, mas precisa negar isso.


Essa luta entre a verdade e a proibição e a insegurança quanto à própria percepção obviamente precisará de uma válvula de escape – normalmente o corpo é quem paga! Mas antes mesmo de adoecer, a fuga e a negação da dor podem se manifestar por intermédio de satisfações efêmeras. O consumismo aumenta significativamente ano após ano. O álcool, as drogas, as compulsões de toda natureza podem representar o reflexo da desconexão com o que provocou e ainda provoca sofrimento no indivíduo. 

Quando o corpo dá sinais de que algo não está bem, a alternativa mais comum para a resolução da dor é a médica. O tratamento medicamentoso é essencial na cura, mas pode não ser suficiente. Um organismo cuidado apenas em seu aspecto físico poderá melhorar, mas não se sustentará por muito tempo, a mesma queixa ressurgirá ou outras novas. A estrutura física é o nosso mapa, depósito das nossas experiências positivas e negativas, portanto condutor na busca pelas respostas do que de fato desequilibra a saúde orgânica.


Faz-se urgente que admitamos nosso lado mais sombrio, depósito das experiências e dos sentimentos mais reprimidos, proibidos. Só o reconhecimento e a aceitação de nossas sombras podem nos libertar, o que não significa nos tornarmos pessoas piores e cruéis. Tais ações são apenas os primeiros passos. Os seguintes dependem das necessidades de crescimento ou aprisionamento de cada um. Pode-se optar por manifestá-los descompensadamente, reprimi-los ou elaborá-los em busca da saúde integral.


As escolhas são livres, mas os resultados são necessariamente delas escravos! 


Suporte bibliográfico: A revolta do corpo – Alice Miller / 2011
Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250


Um corpo inerte guarda tanta dor...

separado da mente,
entende, mas não sente,
sente, mas não resolve,
chora sem lágrimas,
vibra porque tem vida, mas não tem consiciência disso,
quer falar, mas não tem voz,
sobrevive,
camufla,
se engana.
Consciência liberta, o corpo é o alerta!
Minha estrutura física é meu mapa, apenas eu sei o caminho que me levará ao verdadeiro significado de estar viva.

Ana Virgínia

24 de fev. de 2012

Modelando a ansiedade


- Retração na gengiva? Não era gengivite a razão para tanta sensibilidade?
- Sua gengiva não sangra, não está inflamada. A sensibilidade é em função da retração. Vou te pedir uns exames para descobrirmos o que pode ter provocado e então iniciarmos o tratamento para evitar a evolução do quadro patológico.
Dentro da minha cabeça uma voz gritava: “PATOLÓGICO?”

Assim me explicava pacientemente meu dentista especialista em ATM enquanto eu, imediatamente, me transportava para o futuro, observando meu sorriso em uma fotografia. Sorriso grande, sem gengiva e com raízes dentárias à mostra. É óbvio que não me agradei do quadro.

- No que consiste o tratamento?
- Depende do estudo das suas mandíbulas e da tomografia. Mas no seu caso o que posso adiantar é que você terá que usar ou um aparelho para dormir ou um aparelho fixo.
Pensei: Que ótimo! Todos os meus sonhos infantis estão se realizando! Ano passado quebrei o dedo do pé e tive a opção de usar gesso, agora vou colocar aparelho.
- Procure fazer os exames nessa clínica. Eles entregarão o resultado aqui mesmo e quando eu os receber entro em contato com você.

Minha coragem em prosseguir com o tratamento era tão grande que primeiro esperei chegar de viagem para marcar. Quando marquei, o fiz na clínica errada, mas no final das contas não tive como fugir. Fui.

Acordei bem cedo, arrumei as crianças para a escola, tomei meu café, mas achei melhor não comer muito, afinal eu não sabia o que iam colocar na minha boca. Saí antes das 8 horas da matina, para conseguir ser uma das primeiras, já que o atendimento era por ordem de chegada. Chegando às 7h55, havia uma mulher na minha frente. Pensei: outra desesperada para se ver livre! Deixa disso Ana! Vai ver ela tem outros compromissos a cumprir. Nem todo mundo é “frouxa” que nem você!

Passadas todas as etapas de entrega de guia, pagamento, foto para identificação (acho que isso deveria ser proibido – ficamos estranhamente irreconhecíveis nessas fotos), assinatura...  sou chamada a adentrar uma micro sala, com uma bancada e pia e uma poltrona de dentista.


Uma técnica nada simpática: após me dar bom dia, vira-se de costas e começa a esquentar uma placa de não sei que material.

Na minha cabeça, as curiosidades infantis: Para quê isso? Será que vai queimar minha boca? Controle-se Ana! Qualquer coisa você levanta a mão!


À minha frente um quadro que não dava para entender nada, à minha esquerda uma parede e à minha direita um espelho. Melhor olhar para ele, a imagem é bem melhor assim... huuuuuuuuum... estou precisando retocar minhas raízes com urgência. Assim que sair daqui ligar para o Júnior...

- Abra a boca e só morda a placa quando eu der o comando.
Só me restava balançar a cabeça afirmativamente, já que à medida que ela falava já ia executando o ritual.
- Morda! Isso! Abra a boca!
E eu comigo: senta, deita, rola, morto!
- Abra a boca novamente. Vamos repetir.
Até que estava divertido. Se eu soubesse que era assim tão simples não tinha esperado tanto tempo para fazer o exame.
Ela guardou os dois moldes em um saco plástico e tornou a se virar de costas. Dessa vez ela demorou mais e eu até que achei bom, assim eu poderia continuar meu monólogo com o espelho.

- Abra a boca novamente e baixe a cabeça.
Feito.
De repente, a técnica abre um quilômetro da minha boca e enfia um não sei o quê com uma “ruma” de pasta que de imediato embrulhou meu estômago me remetendo à imagem do Gato de Botas quando coloca para fora uma bola de pelos no desenho do Shrek. Ainda bem que eu havia comido pouco e consegui segurar o conteúdo estomacal...
- Feche a boca! Não tente engolir a saliva, não movimente a língua.
Nisso uma de suas mãos segurava o molde e a outra segurava minha cabeça, empurrando-a para baixo.
- Isso levará alguns segundos – mas juro que demorou uma eternidade – pronto, vou tirar, não se mexa!
O gosto era horrível, além da sensação de que todos os meus dentes estavam indo embora junto com aquela massa corrida.
- Agora nós vamos fazer o molde da arcada superior. E de novo a sessão tortura, mais parecia uma luta de vale tudo onde meu cabelo foi o maior prejudicado, pois já estava cheirando a axila. “Putzgrila”, lavei ontem!

Mas já estava até gostando do procedimento. Encontrei um jeito fácil de passar pelo processo. Bastava inspirar pelo nariz e soltar o ar pela boca e todo o tormento se esvaía. Consegui até repetir o molde da arcada superior que a adorável técnica conseguiu errar.
- Vou ter que repetir esse. Você não baixou a cabeça o suficiente!
Pensei de novo: Ela quase quebra meu pescoço, deixa o maior “futum” no meu cabelo e a culpa é minha? Relaxa, Ana! Você não está aqui a passeio, mas tente sublimar. Pense no mar e respire a brisa litorânea!
Depois de três vezes comendo aquela massinha, finalmente concluímos o procedimento, ao que ela me diz:
- Pode levantar e lavar a boca!

Quando me olhei no espelho novamente, parecia que eu havia comido um monte de broas brancas nordestinas, aquelas, feitas com polvilho. Era farelo até a sobrancelha e não podia ser diferente, tamanho foi o embate de corpos, onde quem ficara em vantagem era obviamente quem estava de pé, babando sobre minha cabeça uma saliva dominadora de quem finalmente subjuga a  presa (a presa era eu). Só me restava me resignar e aceitar que todos vivem dias de caça ou de caçador. Lembrei-me do paradigma dominador do ser humano, do superior e do inferior... um dia falo sobre isso.

- Não foi fácil? O segredo é inspirar pelo nariz e expirar pela boca. Além de ajudar a não vomitar, auxilia a massa a secar mais rápido. Vamos para a tomografia.
- Obrigada por avisar! Vou me lembrar disso na próxima vez. Respondi feliz pela constatação de tamanha autonomia.

No setor da tomografia, outra técnica, mais “simpática” ainda me explica os procedimentos. Essa etapa foi mais fácil, não fosse ter que repetir o exame três vezes e em alguns momentos me sentir como Doctor Lecter com sua focinheira no filme O Silêncio dos Inocentes. Na recepção, enquanto eu esperava o aval dela para ir embora, o filme O Circo de Charlie Chaplin me distraía; ele, vestido de mágico, teria que subir em uma corda bamba. Uma bela bailarina preocupada com sua segurança lhe indaga:
“- Você vai morrer?”
  Ao que ele responde cheio de “marra”:
“- Não. Minha vida é encantada!”

Prontamente fiz a conexão. Eu também sobrevivi à massa corrida em minha boca, tentando me invadir goela abaixo, mas principalmente à falta de sensibilidade das profissionais que me tratavam como qualquer coisa, menos como um ser humano...
E antes que um sentimento de vítima tentasse tomar conta do meu SER, pensei na fotografia sem gengiva e... definitivamente, nada poderia ser pior do que isso naquele momento!
- Dona Ana Virgínia, a senhora está liberada.
- Obrigada e tenha um bom dia!
E abri aquele sorriso, cheio de dentes e gengiva!

Segui para o estacionamento, achando graça da situação e  pensando em redigir essa crônica, sem ao menos imaginar que lá conheceria minha mais nova “amiga”. Não sabe quem é? Aquela da crônica “É para sorrir ou para brigar?”

Acho que o dia promete, mas nada há de estragar minha alegria de viver! Afinal... ela “é encantada”!


Ana Virgínia Almeida Queiroz

Leia também:
Ansiedade, um recurso para o sucesso
Transtorno do Pânico


O Circo
Charlie Chaplin








22 de fev. de 2012

Transtorno do Pânico


A síndrome do pânico enquadra-se no conjunto de transtornos de ansiedade e, segundo Ana Beatriz Barbosa Silva, ocupa uma frequência relativamente baixa se comparada aos demais transtornos de ansiedade, especialmente às fobias (medos exagerados). Em contrapartida, as pessoas que sofrem do distúrbio em questão são as que mais procuram auxílio médico.

Isso se deve, em parte, à  gama de desconfortos de ordem física que “invadem” o indivíduo durante o ataque de pânico. O mais comum é a suposição de estarem sofrendo um ataque cardíaco, pois são acometidos por sensações de morte iminente em função de uma aceleração no coração, suor intenso, tontura, falta de ar, dor no peito e a sensação de que algo muito ruim vai acontecer.

O diagnóstico não é simples. A apresentação de um único episódio, que não se repete ao longo dos anos, não caracteriza a instalação do transtorno. Faz-se necessária a freqüência dos episódios, provocadores de comportamentos e sensações que interferem negativamente no dia a dia dos portadores e, ainda assim, é importante afastar a possibilidade das crises serem desencadeadas por outro distúrbio de ansiedade ou por problemas de ordem orgânica.

As crises de pânico, além de favorecerem todo o desconforto de ordem corporal no indivíduo, geram o medo de novos episódios, pois nunca se pode prever quando irão acontecer. Isso limita a liberdade do portador, fazendo com que ele desenvolva uma crescente ansiedade a respeito de locais ou situações propícias às crises que acontecem sem aviso prévio. O sofrimento também é somado às constantes infirmações dos profissionais da área de saúde quando tentam “tranquilizar” o paciente quanto à ausência de problemas ou à simplificação de soluções para o conflito – “Você não tem nada! Está ótimo” ou “Passe um final de semana em um SPA e tudo ficará bem”.

Ainda segundo Ana Beatriz Barbosa Silva, as mulheres são mais acometidas que os homens e as razões para isso ainda não são bem compreendidas. Nos fala igualmente sobre uma propensão genética, onde o estresse afetivo possa representar o maior desencadeador desse transtorno. Robert L. Leahy, exemplifica, assinalando históricos de rompimentos familiares, ou ameaça de rompimentos, perda de um dos pais ou de um ambiente estável ou, finalmente, perda de um relacionamento, afastamento de casa ou da comunidade.

Em sua obra Mentes Ansiosas, a renomada médica nos elucida sobre os sintomas e pensamentos mais comuns no portador.

Físicos:

- taquicardia
- suor intenso (principalmente na face ou cabeça)
- tremores ou abalos musculares
- sensação de falta de ar ou sufocamento
- sensação de asfixia ou aperto na garganta
- dor ou desconforto no peito
- náusea ou cólica
- tontura, vertigem ou desmaio
- sensação de estranheza consigo mesmo
- medo de perder o controle ou de enlouquecer
- medo de morrer
- sensação de anestesia ou formigamento
- calafrios ou ondas de calor

Pensamentos:

- vou ter um ataque cardíaco
- vou ficar louco
- vou morrer
- vou ter um derrame
- vou ser tomado como alguém fraco
- vou desmaiar e vão rir de mim
- não posso ficar sozinho, preciso de alguém para me socorrer
- não consigo controlar minha vida e preciso ser capaz de fazer isso
- não posso dirigir, pois posso perder o controle do carro e bater
- não posso praticar esportes, pois posso morrer
- não posso fazer sexo, pois posso enfartar
- se eu não dormir posso enlouquecer ou ter um colapso nervoso
- não posso me emocionar nem chorar, senão perco totalmente o controle das minhas emoções.

Para aquele que sofre do transtorno do pânico receber tal diagnóstico pode representar um alívio, pois até então toda a situação é confusa e não faz sentido. Ao compreender como se processa o medo em seu organismo e as razões que o desencadeiam, começa a encontrar forças para prosseguir. O tratamento é medicamentoso associado à psicoterapia e é fundamental para a melhora do quadro e a retomada de uma vida normal, favorecendo ainda, maior liberdade para aqueles que convivem com o indivíduo, uma vez que também se tornam reféns da síndrome em função da dependência que provoca no portador.

Suporte bibliográfico:
- Psiquiatria básica – organizadores: Mario R. Louzã Neto, Thelma da Motta, Yuan-Pang Wang, Hélio Elkis / 1995;
- Livre de ansiedade – Robert L. Leahy / 2011;
- Mentes ansiosas – Ana Beatriz Barbosa Silva / 2011


Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250

16 de fev. de 2012

Matérias e artigos



1. Por que as crianças estão tão infelizes?

"Especialistas em saúde infantil chamam a atenção para uma epidemia silenciosa que afeta a saúde mental das crianças que, ainda pequenas, precisam lidar com as pressões da sociedade moderna."

Veja a matéria completa no link:
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/por-que-as-criancas-estao-cada-vez-mais-infelizes





2. Criança, a alma do negócio

http://www.youtube.com/watch?v=rNlIgEm_5U8

Trata-se de um documentário de aproximadamente 50 minutos, que busca elucidar sobre os riscos de uma cultura consumista, onde as crianças são as maiores vítimas e garantidoras de um processo social alienante. Muito bom! Recomendo!

Ana Virgínia



3. Preparação Emocional para concursos


Luiza Ricotta esclarece sobre um ingrediente indispensável para o sucesso. A autoestima não só como resultado das conquistas pessoais, mas também como caminho para se chegar até elas.  Ana Virgínia



4. A grande muralha da vagina
"O polêmico artista Jamie McCartney nos apresenta 400 moldes de genitálias femininas dispostas em dez painés que totalizam nove metros de comprimento. O trabalho não é apenas uma curiosidade provocadora e controversa, mas um chamado para importantes questões socioculturais envolvendo o corpo feminino."

Veja a matéria completa no link:


5. Dislexia pode ser descoberta antes da alfabetização



6. O QUE ENSINAR SEUS FILHOS SOBRE CRIANÇAS ESPECIAIS?


Esse artigo é fantástico! Várias mães com filhos portadores de necessidades especiais, oferem dicas simples sobre como lidar com tais crianças no cotidiano, uma vez que muitas pessoas se sentem contrangidas diante delas. Ana Virgínia




7. Trickster: o iluminado trapaceiro das trevas


Renato Kress explica sobre o mito do trapaceiro e a função que o mesmo possui, no direcionamento rumo ao encontro de nós mesmos. Muito bom e profundo! Ana Virgínia




14 de fev. de 2012

É para sorrir ou para brigar?


Saindo do Conjunto Nacional após a realização de um exame...

Muito tranquila, elaborando mentalmente um novo trabalho sobre Síndrome do Pânico, pego meu cartão do estacionamento, separo R$10,00 e sigo para o caixa. FECHADO! Lembrei que no extremo oposto ao estacionamento coberto havia outro caixa, peguei o carro e segui até lá. FECHADO!
Percebendo que ainda não eram nem 09:00, imaginei que os caixas em funcionamento estariam no térreo. Segui com o carro para a escada mais próxima e ao lado dela havia um caixa aberto. PERFEITO! Estacionei de ré para facilitar minha saída, entrei na fila, paguei, segui para o meu veículo, liguei o carro e quando estava saindo, uma mulher muito bem apessoada, parou seu carro aonde para pagar o estacionamento? Na frente do meu, na via de circulação. Logo pensei: certamente não percebeu que eu estou aqui, pronta para sair. Abri meu vidro e gentilmente pedi para que chegasse mais para trás.

Para minha surpresa ela reagiu aos berros - só não me chamou de santa -, me ordenando que saisse de ré pela vaga de trás. Não precisou mais que isso para eu perceber que a situação não se tratava de uma conversa entre duas pessoas civilizadas e que eu precisava me manter calma... RESPIREI bem fundo e devagar!

- Minha senhora, se eu sair de ré, vou ter que contornar todo o estacionamento para pegar a mão. Seja razoável, a senhora não pode parar o carro aqui. Me deixe sair e estacione em minha vaga, mas se ficar melhor para a senhora, eu a espero pegar a fila e pagar o estacionamento...mal terminei de falar e ela saiu muito contrariada, olhar fuzilante, quase cantando pneu.

RESPIREI mais fundo ainda. Eu não podia perder meu equilíbrio logo agora passado o pior.

Liguei o som, dei partida para sair, percebi que vinha outro carro. Esperei passar. Segui. Lá na frente, próximo à saída, tive que esperar o tal carro manobrar para estacionar. Olhei pelo retrovisor e nova surpresa; "minha amiga" se aproximando do meu carro, morrendo de rir.

- "Sua otária! Não podia me esperar e agora está aí... kkkkkkkkkkkkkk"
 
Pensei: Eu mereço! Respira Ana! Respira Ana! Respiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiraaaaaaaaaaaaaaaaaahhh!
Lembrei do filme Dia de fúria. RESPIREI para acalmar minha células nervosas que nessa altura do campeonato estavam mais agitadas que nádegas flácidas na Marquês de Sapucaí...

Optei por SORRIR!
Onde eu estava mesmo antes disso tudo acontecer? Ah sim! A crônica...
Tenha um bom dia você também e obrigada pela inspiração!

Os sentimentos estão atrelados às nossas ações e reações, norteando a forma como iremos manifestá-los.
Em casos como o relatado, além de tornar os sentimentos conscientes, é valioso lembrar que o conflito que vem do outro, não lhe pertence.
Não convém se "misturar" com os conteúdos emocionais alheios e se isso for inevitável, a avaliação sobre o que promoveu o "encaixe" é fundamental para evitar futuros embates e a instalação de atos violentos.


Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250

Filme: Dia de fúria




12 de fev. de 2012

Impulso – liberte-o ou escravize-se

Há alguns dias ouvi uma mãe relatar com orgulho como o filho de dois anos de idade havia exteriorizado, de forma simbólica, sua vontade de “eliminar” a irmã recém-nascida, afogando uma boneca na banheira, repetidas vezes, va-ga-ro-sa-men-te... Paradoxal?! Definitivamente, não.


Impulsos negativos ou positivos influenciam nossas atitudes muito mais do que podemos imaginar e desde muito cedo aprendemos a reforçar os bons sentimentos e negar os maus que podem desencadear tais impulsos. Dentro do processo normal de desenvolvimento infantil, a criança vai percebendo que se não frear sentimentos e comportamentos menos nobres corre o risco de não ser aceita e pode interpretar a não aceitação como ausência de amor.

De tanto ouvir: “Raiva não é legal!” ,” Você tem que amar seu irmão!”, “Se você não for bonzinho, papai e mamãe ficarão muito tristes com você!”, “Homem não chora!”etc, a criança passa a reprimir tais sentimentos, criando normas de boa conduta na tentativa de formar uma imagem baseada em sentimentos aceitáveis (ao que chamamos de ego idealizado), “garantindo”, dessa forma, o amor das pessoas. Quanto maior o medo da rejeição, maior a norma, maior o ego idealizado, mais impulsos censurados e enjaulados no inconsciente. Assim se origina a culpa. Não sabemos de onde ela vem, gera um incômodo grande e não conseguimos nos perdoar, pois não sabemos o erro cometido. Diferentemente do arrependimento, cujo  motivo é consciente. Ele surge a partir do conflito entre impulso e escolha (ter ou não prazer).

Abstraindo os exemplos gastronômicos de Paulo Gaudencio, tomemos a experiência do cigarro. Uma pessoa está tentando se livrar do fumo, mas está com muita vontade de fumar; o conflito já está instaurado. Se ela fuma, sente um prazer momentâneo e um arrependimento duradouro, mas se não fuma, não cede ao impulso, sente um arrependimento rápido e uma grande compensação. Ou seja, se fuma tem prazer e arrependimento, se não fuma, arrependimento e prazer. Do cigarro ao consumo de doces quando se está em dieta e ao flerte com a melhor amiga da namorada é o mesmo caminho. Nada evitará esse dilema, pois faz parte da dinâmica da vida. Mas, ao mesmo tempo, o que é consciente é mais fácil de lidar: trata-se de avaliar a compensação; pura matemática!

A parte mais difícil começa aqui. Lembremos do caso do menininho que afogou a boneca. Caso sua mãe, percebendo que no íntimo da criança o desejo verdadeiro era o de “exterminar” a irmãzinha – sim! afinal, ela veio dividir a atenção dos pais, fazendo com que o garoto sinta raiva, ciúme e medo –,  o corrigisse inadequadamente, ele reprimiria seus sentimentos, guardando-os em um lugar escuro e bem escondido do seu inconsciente. Suponhamos que, anos mais tarde, a irmã descobre ser vítima de uma doença grave. Provavelmente, o garoto sentirá uma culpa enorme, sem causa consciente, mas perfeitamente explicável, pois, finalmente “conseguiu atingir” a irmã. Se fosse um conflito consciente, ele não teria do que se arrepender.


Nesse caso, a mãe tem motivos de sobra para se orgulhar. Viu seu primogênito administrando seus impulsos destrutivos e não o reprimiu, continuou atenta aos sinais do filho, acompanhando-o dentro do seu processo de adaptação ao novo membro da família. A consequência desse ato é uma criança vivendo seu impulso de forma sadia, sem a necessidade de parecer bonzinho para ser aceito. É natural sentir raiva, ciúme e medo diante de tal situação, mas normalmente o que aprendemos é que não é possível amar e sentir raiva de uma pessoa ao mesmo tempo. O que não é possível e aceitável, na verdade, é afogar a irmã. Sentir qualquer um desses impulsos é perfeitamente viável.

Além do ego idealizado e dos impulsos, ainda possuímos, como instância psíquica, o superego, que é o conjunto do ego idealizado e da censura dos impulsos que não correspondem a ele. É um conjunto de valores, um código de ética e que normalmente vem contrapor-se aos impulsos, cuja existência é necessária. Sem ele, o ser humano se torna um animal, sem limites, capaz de cometer as piores atrocidades (até afogar a irmã). Na infância, nossos pais desempenham esse papel nos auxiliando na criação das normas.

Ainda segundo Gaudencio, no processo terapêutico, o superego é revisto, flexibilizado. A isso podemos acrescer que os impulsos reprimidos são reconhecidos como parte integrante do indivíduo e o ego abre espaço para os sentimentos renegados, agradando ou não as outras pessoas. Novo sentido é dado ao impulso, reestruturando uma verdade estabelecida anteriormente e que parecia ser a única. Impulsos bons ou maus fazem parte do ser humano. Reprimir os impulsos negativos é como não liberar a água de uma represa esporadicamente. Se permitirmos que o excesso de água flua, a represa continuará exercendo sua função, mas sob controle.

Suporte bibliográfico:
Minhas razões, tuas razões – Paulo Gaudencio / 1994.


Psicóloga: Ana Virgínia de Almeida Queiroz / CRP: 01-7250


Sugestão de filme:
O Cisne Negro




10 de fev. de 2012

Mamãe? Somos iguais não é mesmo?

Colocando Sofia para dormir...

Sofia: Mamãe, você está bem?
Eu: Sim, por quê?
Sofia: Sinto uma tristeza em você, pequenininha.
Eu: Estou um pouco cansada.
Sofia: Você me diria se fosse tristeza?
Eu: Você gostaria de saber?
Sofia: Sim. 
Eu: Não ficaria triste ou assustada?

Sofia: Eu continuaria te amando, mesmo sabendo que você é como eu.
Eu: Quando acontecer pode deixar que você saberá. Te amo minha filha...

Filhos percebem nossas dificuldades e se sentem importantes, prestigiados quando nos mostramos humanos. Podem também fantasiar que não estamos bem por causa de algo que fizeram caso não os deixemos tranquilos quanto ao que de fato está acontecendo.

Nem sempre será possivel falar sobre os reais motivos que nos abatem, mas desconfirmar a percepção da criança é o mesmo que dizer que está errada. Ela aprenderá com o tempo, a duvidar de si mesma.

Conversar abertamente com uma criança, reconhecendo seu valor, respeitando sua percepção e maturidade, tranqulizando quanto à existência de soluções para os problemas, favorece o desenvolver de crianças mais seguras, mais autônomas emocionalmente, mais sensíveis e mais focadas para o que verdadeiramente é e se tornará importante em suas vidas.


Ana Virgínia - mãe da Sofia (7 anos)

Para Sofia

Velha Infância - Tribalistas

Google+ Twitter Facebook Delicious Digg Favorites More